Saúde

Medicina Personalizada

Que tal se pudéssemos predizer quem entre nós estaria mais propenso a desenvolver um câncer de pulmão ou intestino? E se além disso pudéssemos diminuir ou até mesmo eliminar a chance disso acontecer? Quem sabe talvez usar drogas diferentes para diferentes pacientes portadores de determinados tipos de cânceres? Isso é a medicina personalizada. É a personalização das decisões médicas e dos produtos, que são adaptados para o organismo de cada ser humano.

Em 31 de maio de 2007, no Baylor College of Medicine em Houston, James Watson, prêmio Nobel em 1962, apresentava o “primeiro genoma pessoal”. Era um disco rígido contendo 24 bilhões de caracteres, sendo cada um, uma das quatro letras do alfabeto do DNA: A, C, G ou T. Era talvez o principal passo da uma nova era: a era genômica.

A tecnologia que possibilitou este primeiro sequenciamento a um custo elevado evoluiu bastante nos últimos dez anos e diversas companhias já oferecem soluções bastante acessíveis.
Em 2006, Anne Wojcicki, casada com o co-fundador da Google Sergey Brin, lançou junto com Linda Avey, a 23andMe. Vestidas com jalecos, elas próprias ofereciam os kits para obtenção da saliva aos convidados durante o Fórum Econômico Mundial em Davos na Suíça. Vendendo seu teste genético diretamente para o público, a empresa sofreu um revés em novembro de 2013, quando o FDA proibiu a comercialização desse produto. Desde então a empresa cumpriu uma série de exigências e hoje já disponibiliza(não no Brasil) um teste de ancestralidade, bem como o teste genético para a predisposição de dez doenças incluindo o Alzheimer e a doença de Parkinson.

Outras empresas oferecem soluções de medicina personalizada diretamente para o consumidor. A deCode genetics, baseada na Islândia, oferece serviço semelhante. Ao invés de cuspir, você passa um cotonete no interior da boca, colhendo um swab que será enviado para análise em equipamentos Illumina, semelhantes aos utilizados na 23andMe. Um kit semelhante é usado pela iDDNA, que após análise genética, mandará para seu smartfone dicas para proteção da pele e hábitos alimentares compatíveis com “seu DNA”.

Na área da reprodução humana, os avanços também são muitos. A possibilidade do diagnóstico genético pré-implantacional através da biópsia dos embriões, assegura a transferência de um embrião saudável para o útero materno, evitando a transmissão de doenças genéticas dos pais para o filho. Mas os avanços não param por aí. Uma tecnologia chamada de CRISPR/Cas9, já permite a correção do gene defeituoso, tornando aquele embrião livre da doença genética. Na área de medicamentos, a Ferring lançou recentemente um FSH recombinante, cuja dose é ajustada individualmente, de acordo com o peso e a dosagem sanguínea de um hormônio que avalia a reserva ovariana da paciente.

A medicina personalizada parece não encontrar mais fronteiras. Cerca de 40% de todos os medicamentos em clinical trials podem ser classificados como terapias de precisão ou personalizada. Se olharmos apenas para a oncologia, esse número se aproxima dos 75%. Quem sabe no futuro cada bebê terá seu sequenciamento ao nascer. Essa informação faria parte de seu prontuário médico. A investigação para doenças começaria logo nos primeiros dias de vida. Um diagnóstico genético levaria a uma terapia personalizada com maiores chances de prevenção ou de cura. Parece sonho, mas a cada dia torna-se mais real.

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