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Evidência Científica e Inovação

Tradicionalmente as decisões em saúde sempre foram baseadas em evidências científicas. Será que a Inovação poderia contribuir de alguma forma na qualidade dessas evidências?

 

Os Ensaios Clínicos Randomizados

O Ensaio Clínico Randomizado(ECR) é basicamente um tipo de estudo experimental utilizado em saúde que tem por objetivo comparar dois ou mais tratamentos em grupos de pacientes com as mesmas características, distribuídos aleatoriamente.

De acordo com a Centro de Medicina Baseada em Evidência da Universidade de Oxford, esse tipo de estudo representa o nível 1b de evidência, só sendo superado pela Revisão Sistemática ou Metanálise, estudo que compila uma série de Ensaios Clínicos Randomizados.

Os Ensaios Clínicos Randomizados, tem, todavia, algumas desvantagens. Podem ser caros e demorados. São difíceis de serem realizados em doenças raras e a perda ou drop-out durante o estudo não é incomum.

Podemos citar como exemplo o 1º Ensaio Clínico Randomizado desenhado para comparar a cirurgia bariátrica e metabólica com o tratamento clínico em pacientes portadores de diabetes do tipo 2. Forma incluídos 150 pacientes em três grupos e os resultados de 1, 3 e 5 anos publicados no periódico de alto fator de impacto New England Journal of Medicine. Com 90% de follow-up, o estudo serviu de base para uma série de decisões acerca do papel da cirurgia no tratamento do diabetes tipo 2. Será que informações de um grupo tão pequeno de pacientes são suficientes para decisões tão importantes em saúde?

 

A Era da Inovação e o Big Data

 

Vivemos um período ímpar no mundo, onde a quantidade de informações e dados disponíveis em todas as áreas é abundante. Na saúde não é diferente. Para que tenham uma idéia, somente em 2014, 14 milhões de wearables, daqueles que você coloca no braço e ele mede e armazena seus sinais e vitais, foram vendidos no mundo. Em 2016, esse número saltou para 46 milhões. Um em cada 6 consumidores americanos utilizam um dispositivo como esse.

Potencialmente esses dispositivos dão acesso direto a uma quantidade enorme de dados. Poderiam ainda afetar o comportamento, uma vez que avisam ao indivíduo que ele deveria fazer uma pausa, se levantar e que faltam ainda um número determinado de passos a serem dados hoje para atingir uma meta pré-determinada.

De forma objetiva, os dispositivos tendem, com o tempo, a medir dados além dos sinais vitais, como por exemplo lentes de contato que medem o nível de glicose no sangue. Dessa forma, pacientes diabéticos poderiam ter sua glicemia medida continuamente e os dados transmitidos para um centro de controle.

Transportando tudo isso para o exemplo do ECR com 150 pacientes, ele poderia ser substituído pelos dados de milhares de pacientes submetidos a cirurgia ou ao tratamento clínico para o controle de seu diabetes. Obviamente estaríamos lidando com dados heterogêneos. Entretanto, seriam eles aos milhares, mais ou menos relevantes que aqueles 150?

Ainda não temos a resposta. Entretanto já sabemos que a forma como vemos a medicina já mudou.

 

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