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Interoperabilidade

Interoperabilidade é a capacidade que os diversos sistemas da informação e aplicativos de software têm de se comunicar e trocar dados para utilização dessas informações. Imagine agora diversos sistemas de saúde, públicos e privados, em diversos países, “falando” idiomas diferentes. Como se não bastassem essas dificuldades, que tal se cada consultório, clínica ou hospital utilizasse um sistema diferente. Observem a complexidade do desafio.

É bem verdade que avançamos em algumas áreas com a criação de documentos padronizados. O CID-10 ou Classificação Internacional de Doenças é um exemplo. Um catálogo de diagnósticos obedece a um padrão internacional e facilita a troca de informações entre serviços e sistemas.

Alguns sistemas de saúde também têm avançado com objetivo de conectar e compartilhar informações de pacientes em toda a rede de hospitais. Na Espanha, o projeto Prontuário Digital já possibilita o acesso ao prontuário de um paciente a partir de qualquer local de atendimento. No México um sistema digital de registro de certidões de nascimento conectado ao sistema de saúde já atingiu mais de 100 mil registros.

No Brasil, o DATASUS está longe do ideal. Mesmo a partir da Portaria 2.073 publicada em 2011, que regulamentou o uso de padrões de interoperabilidade, carecemos ainda até mesmo de um registro único por paciente.

Estamos longe. Mais de 200 mil aplicativos de saúde estão disponíveis atualmente para dispositivos móveis. A quantidade de dados em saúde cresce de forma exponencial e os sistemas de saúde enfrentam o desafio de conectar tudo isso. Como disponibilizar dados monitorados pelos wearables, que poderiam ser úteis na identificação de fatores de risco, prevenção e até mesmo detecção precoce de alguma condição aguda que exija atenção imediata? Seria correto que os seguros de saúde tivessem acesso aos dados da monitorização constante de seus usuários, cobrando deles um valor financeiro maior ou menor dependendo do engajamento em hábitos de vida mais saudáveis? Muitos são os envolvidos.

As soluções passam também pelas sociedades e organizações médicas. A American Medical Association(AMA), criou uma rede para conectar médicos e empresas, ajudando-os a encontrar soluções de interoperabilidade que possam levar a melhores decisões em saúde.

A tecnologia do blockchain, famosa pelo uso nas cryptomoedas, tem avançado na área da saúde. Não somente para segurança de contratos mas principalmente para que dados pudessem ser criptografados e disponibilizados de acordo com o desejo único e exclusivo do paciente.

Parece que vivemos a tempestade perfeita na saúde. Muitos problemas para serem resolvidos, muita tecnologia disponível e muito dinheiro envolvido. Que possamos avançar também na interoperabilidade de todos esses dados por uma melhor qualidade dos serviços.

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